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DGS quer ‘novas’ bolachasDGS quer ‘novas’ bolachas

A Direção-Geral da Saúde (DGS) prepara-se para solicitar às empresas produtoras de bolachas Maria e bolachas de água e sal para que alterem a receita e a composição destes produtos, de forma a limitar as quantidades atuais de sala, açúcar e gordura.

De acordo com a DGS, há produtores que usam o dobro daqueles ingredientes nas bolachas, quando poderiam reduzir significativamente a quantidade. Este foi o resultado de um trabalho de análise a dois dos tipos de bolachas mais consumidas em Portugal, efetuado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e que permitiu aos investigadores concluir ser possível produzir os mesmos produtos com melhor qualidade nutricional. Por isso, os autores do estudo reforçam no documento a necessidade de serem “estabelecidas metas que permitam a reformulação gradual destes alimentos”.

Ao “Diário de Notícias”, Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da DGS, considerou ser decisivo “criar ambientes nos supermercados, nos mercados e nas lojas para que a oferta alimentar tenha teores médios menores de açúcar e de sal. Estamos a ultimar aquilo que podem vir a ser metas ou objetivos”.

Assim, a curto prazo a DGS deverá “reunir-se com a indústria alimentar no sentido de fazer sugestões de reformulação de produtos”, não só de bolachas mas também de outros setores, entre os quais a charcutaria. "As decisões têm de ser tomadas pelo Estado e pela indústria, para que cheguemos a objetivos alcançáveis.”

Para chegar ao momento da recomendação, os investigadores adquiriram 15 tipos de bolachas (oito de bolachas de água e sal e sete de bolachas tipo Maria) em grandes superfícies na região de Lisboa, incluindo produtos de marca branca, de marca comercial, sem glúten e sem açúcar. “O objetivo era realizar uma análise comparativa dos teores de gordura, sal e perfil de ácidos gordos de bolachas Maria e de água e sal, para atualizar a informação nutricional relativa a estes produtos e também para estimar o potencial risco/benefício para a saúde tendo por base as recomendações de ingestão diária para os referidos nutrientes”, de acordo com Helena Soares, investigadora do Departamento de Alimentação e Nutrição e uma das autoras do estudo. A investigação revelou ainda que as bolachas analisadas apresentam teores elevados de gordura saturada, cujo consumo excessivo está associado a um aumento do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.